Los Angeles Estados Unidos
Basta uma volta pelas ruas do Pueblo de Nuestra Señora
la Reina de Los Angeles de Porciúncula - o primeiro nome de Los Angeles,
ou LA, para os "íntimos" - para se perceber que é uma
metrópole, mas não tão assustadora como mostram alguns filmes de
Hollywood. Certamente um lugar que vale a pena conhecer um pouco melhor.
Parece um grande cenário a céu aberto. Afinal, é a "cidade dos
anjos" e das estrelas de cinema.
É fato que Los Angeles não favorece o pedestre. O
transporte público também não é lá essas coisas. O metrô (US$ 3 o
passe para o dia inteiro) depende de interligação com linhas de ônibus
para levar a lugares como Santa Monica e Beverly Hills. Os trens passam
por pontos de interesse turístico, como Hollywood e Universal Studios.
Há quem prefira alugar um carro - esses devem se preparar para os
congestionamentos, até mesmo nas freeways.
Carro (ou passe de metrô), paciência, mapa. Com o kit
básico de sobrevivência em LA, é hora de começar a desbravar a cidade.
Vale partir do centro, que foi revitalizado. A grande estrela do centro é
o novíssimo Walt Disney Concert Hall, no número 111 da South Grand
Avenue. Projetado por Frank O. Gehry, o mesmo arquiteto do Guggenheim de
Bilbao, o lugar tornou-se a casa da Filarmônica de Los Angeles. Do outro
lado da rua, na California Plaza, está o Museu de Arte Contemporânea de
Los Angeles. O lugar tem uma coleção de aproximadamente 5 mil peças, do
expressionismo à pop art.
Perto dali, na Temple Street, está uma das jóias da
cidade, motivo de orgulho para muitos de seus moradores: a Catedral de
Nossa Senhora dos Anjos, maior igreja dos Estados Unidos. Projetado pelo
espanhol José Rafael Moneo, o prédio é para lá de arrojado, com peças
cheias de significado que representam, entre outras propostas, a jornada
espiritual dos peregrinos. Vale a pena reparar nos murais de algodão e
viscose que adornam a nave. Com 5 metros de altura, representam 135
santos.
Para finalizar o essencial do centro, dê uma
passadinha pelo Dorothy Chandler Pavilion, no Music Center, que serviu de
palco por 25 anos para a festa do Oscar, e pela Prefeitura, no número 200
da North Spring Street. A sensação é de que você já viu esse lugar
antes. E é verdade: o prédio da Prefeitura - que foi o mais alto da
cidade até 1957 - serviu de locação para filmes como "Guerra dos
Mundos" (1953) e "Superman" (1978).
Depois, dê uma esticadinha até Santa Monica. A praia
dos moradores de Los Angeles é famosa pela roda-gigante que parece sair
do Pacífico. Basta uma volta pelo píer - que aparece em produções como
"Forrest Gump" (1994) - para se ter uma certeza de que vale a
pena conhecer os bastidores desse grande cenário a céu aberto.
Que tal conhecer a cidade pelas locações usadas em
filmes? As possibilidades são infinitas. Basta escolher a película
favorita que, provavelmente, terá alguma cena gravada nas ruas de Los
Angeles. Um dos cenários reais preferidos pelos diretores é o Biltmore
Hotel (506, Grand Avenue). Palco de algumas cerimônias do Oscar, o hotel
serviu de pano de fundo para produções como "Vertigo" (1958),
"Chinatown" (1974) e "King Kong" (1976).
Outro hotel famoso é o Beverly Hills Hotel (9.641,
Sunset Boulevard). Entre "Shampoo" (1975) e "Gigolô
Americano" (1980), o lugar serviu de inspiração para a música
"Hotel California", dos Eagles.
Quando precisam de uma estação de trem, produtores,
atores e diretores partem para a Union Station (800, North Alameda Street).
Com estilo art déco, integrou cenas de "Blade Runner" (1982),
"Pearl Harbor" (2001) e "As Panteras Detonando"
(2003).
Passado em Los Angeles, "Uma Linda Mulher"
(1990) usou e abusou de locações na cidade. Além da Calçada da Fama,
Julia Roberts andava pelo Las Palmas Hotel (1.738, North Las Palmas Avenue),
em Hollywood, lugar em que seu personagem morava. Com Richard Gere,
freqüentou o Cicada Restaurant (617, Olive Street), na famosa cena em que
deixa "voar" um escargot.
RODEO DRIVE - Um passeio na Rodeo Drive transporta ao
cenário de "Uma Linda Mulher". Quem não se lembra de Julia
Roberts gastando o dinheiro de Richard Gere em caríssimos modelitos de
grife? Outro marco da rua mais chique de Los Angeles é a loja da Tiffany,
onde Audrey Hepburn desfilou em "Bonequinha de Luxo". A Rodeo
fica em Beverly Hills, bairro que ganhou até um seriado com o seu nome, o
Beverly Hills 90210, conhecido no Brasil como "Barrados no
Baile", um dos programas mais populares dos anos 90.
WATTS TOWERS - Uma das grandes jóias arquitetônicas
de Los Angeles é quase que completamente desconhecida pela maioria dos
turistas. Situadas no bairro de Watts, a aproximadamente 10 quilômetros
do centro, as Watts Towers surpreendem qualquer um. Já de longe, a obra
lembra os trabalhos do catalão Antonio Gaudí (1852-1926). Mas, não.
Gaudí nunca morou na Califórnia. O pai da coisa é o italiano Simon
Rodia (1879-1965), um "maluco" que resolveu construir um navio
no próprio quintal. Com cimento, cacos de vidro, conchas do mar, azulejos
e produtos de demolição.
CALÇADA DA FAMA - Um roteiro em Los Angeles não pode
deixar de fora o Hollywood Boulevard, endereço da Calçada da Fama,
aquela com os nomes de artistas gravados em estrelas no chão. O ponto de
partida do tour pode ser a esquina com a Sycamore Avenue, em direção à
Vine Street. Por lá está, por exemplo, a estrela de Tom Hanks, na altura
do 7.000 ou, mais divertida, a do Pernalonga. No número 6.538 está Frank
Sinatra, vizinho de Orson Welles. Carmen Miranda fica na altura do 6.262.
Na mesma quadra (altura do 6.700), quase lado a lado, estão Marilyn
Monroe e Ozzy Osbourne. Ao virar na Vine, procure por Marlon Brando,
Lauren Bacall ou John Lennon. A estrela do ex-Beatle é um ponto de
peregrinação para os fãs.